Fernando Luz

O que eu tenho a ver com a crise?

Posted in marketing, monólogos by fernandoluz on janeiro 27, 2009

crise1

Há algum tempo, eu falei um pouco sobre Crise Subprime no meu outro blog. Mas como o assunto está cada dia mais atual e eu ainda não comentei nada, sobre isto, aqui, quero abrir um parêntese para conversar com você, amigo leitor, sobre esta chamada depressão econômica que tem afligido alguns de nós.

Mas relaxa, todo o economês tá bem traduzido para brasileirês.

Se liga:

Quase todo mundo tem algumas dúvidas sobre esta tal “crise subprime”. As respostas para estes questionamentos não são tão simples, mas com um pouco de bom-humor e – porque não? – saco, você entende a parada.

Há muitos anos atrás, os EUA venceram uma guerra. Com o otimismo em alta – e a economia também -, os americanos resolveram realizar o sonho da casa própria, um banco animal, incentivado por outro verdadeiramente animal, facilitou o crédito, possibilitando que, praticamente, todos os americanos adquirissem sua residência. Por serem sonhos-de-consumo, os imóveis, nesta época, dificilmente deixavam de serem pagos, afinal ninguém queria ser despejado.

Obedecendo a lei da oferta e procura, comprar casas tornou-se um ótimo investimento – foi daí que nasceu o ditado que o melhor investimento é em imóveis porque eles sempre valerão mais no futuro. Muitos anos depois, após terem realizado seus sonhos, o novo anseio deste povo era comprar uma segunda casa, talvez na praia, talvez no campo, não apenas para satisfazerem-se, mas, principalmente, para investirem seu dinheiro. Porém nem todos podiam arcar com o alto custo de manter uma família, possuir carros, bens em geral e duas casas. A primeira despesa a ser cortada em uma eventual “dureza”, sempre são os investimentos. Afinal, tudo o que se tem a perder é o dinheiro que já foi investido. Sua mulher e filhos não amanhecerão – de maneira alguma – na rua. Estes respeitáveis senhores tornaram-se “subprimes”, ou, em linguajar mais chulo; caloteiros.

Novamente obedecendo à lei de oferta e procura, os imóveis passaram a desvalorizar-se, devido a estes senhores, que não tinham condições ou disposição para quitar a divida da segunda casa.

Sabe o que o banco animal fazia com os dinheiros de juros que recebia? Comprava imóveis. Ou seja, com a desvalorização dos imóveis e os calotes dos Senhores subprimes adivinha o que aconteceu com o banco animal?

Não, ele não quebrou, ele pegou dinheiro emprestado com o banco verdadeiramente animal.

O banco verdadeiramente animal por sua vez pensava, com toda sua experiência: “Essas crises são passageiras, vou emprestar dinheiro e logo menos eles me devolvem e a roda continua a girar”.

Pois bem, eles não se reergueram, os imóveis desvalorizaram mais ainda, fazendo com que mais pessoas tornassem-se subprimes.

Agora sim, o banco animal quebrou.

Neste meio tempo o mundo já perdeu 16 trilhões.

CLARO que tem mais um milhão de motivos, mas em síntese é isso.

Se o banco verdadeiramente animal também quebrar, afinal ele não conseguiu o dinheiro que emprestou para vários bancos animais de volta, a roda para de girar. Diremos tchau ao capitalismo e contaremos aos nossos filhos como era ter uma sociedade regida pelo amor ao dinheiro, vestidos com uma camiseta do Fidel Castro.

Porém, óbvio, o banco verdadeiramente animal não pode quebrar. Ai é que entra o super-pacote de 850 bilhões dos E.U.A e tantos outros que os países estão “emprestando” ao mercado.

O governo norte-americano numa atitude totalmente não recomendada “empresta” 850 bilhões para o mercado para que ele em hipótese alguma feche suas portas.

Já deu pra entender o que você tem a ver com esta crise, ? Por mais que você seja apenas um latino-americano-sem-dinheiro-no-banco, mais cedo ou mais tarde – se o mercado não reagir de maneira positiva e alguém gastar uns trilhões de dólares – você fodear-se-á.

Sabe o que todo mundo – quando eu digo todo mundo, quero dizer, literalmente, todo O Mundo – tem que fazer? Nas palavras de nossa excelentíssima ex-ministra da cultura e ex-candidata a prefeitura de São Paulo; Relaxar e gozar.

Como qualquer outra crise (de namoro, por exemplo), esta crise é muito mais psicológica do que qualquer outra coisa.

Nego vê no jornal que um tal de Lehman quebrou e começa a vender tudo a preço de banana, o outro não compra porque está economizando por causa da crise e assim sucessivamente… Tudo acaba a preço de nada, ninguém paga as contas, por isso, funcionários não recebem seus salários e tudo só piora.

Fica sussa! – Tudo vai dar certo no final. Por mais que você esteja (?) sofrendo com esta crise – e acredite, eu já estou – todos os governos, os bancos, os ricos, os gênios e os semi-deuses do mundo inteiro estão trabalhando neste momento para que você não pare de pagar a prestação do seu carro e ocorra uma Crise Subprime a lá tupiniquim.

Continue vivendo sua vidinha como sempre viveu. Não saque seu dinheiro, não pare de confiar no capitalismo. Se não ele quebra, mesmo. Pelo contrário. Junte uma graninha, faça uma poupança, compre ações, afinal quase todas estão umas pechinchas. A real? Nada que você faça vai mudar tudo isso. Quer você goste, quer não.

Crise, no ideograma chinês, quer dizer oportunidade. Quem sabe esta seja uma boa hora para fazer investimentos a longo-prazo. Claro que uma crise nunca é boa, porém otimismo e positividade não fazem mal a ninguém, ?

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3 Respostas

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  1. Sylvio R. said, on fevereiro 2, 2009 at 4:01 pm

    Que resumo bacana da crise, palmas para a envolvente linguagem “brasileirês”.

  2. […] as propagandas de milhões por segundos são para anunciar um hot-site da campanha. Em época de crise, cada centavo é ainda mais valioso. Se pudesse dar um conselho para os anunciantes diria: Gaste […]

  3. […] Baby Boomers – Os nascidos logo após a segunda guerra. Criadores da globalização, da política econômica mundial vigente, da Previdência Social etc.. Hoje, mais conhecidos como os culpados pela crise – embora isto não seja totalmente verdade. […]


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